Radio A Toa

segunda-feira, setembro 20, 2010

Lost In The Supermarket



Perdido no supermercado vim aqui comprar umas pilhas AAA pro player e um saquinho de biscoito de isopor para concorrer a um laptop.....to aqui empurrando um carrinho a meio imbecis que param no meio do corredor para escolherem um refrigerante pro almoço, outro para os cachorros quentes.... stay away. "não vá se perder por aí!"...perdido no açougue procurando se hão fatiados e na padaria se há miojo....cadê a seção de dietéticos, quero um adoçante de baixa caloria, por aqui dirigindo um carrinho ao qual tropeço se não andar de pernas abertas...fucking designer.... sem o mínimo saco para estar na rua. neste momento louco p'ra ouvir musicas e a realidade fantasiada pelo silêncio da casa, can't stand me!....não há mistérios nas sombras.

De que lado ficam os cereais, aonde está o club social e a reciprocidade socialista? aonde estão os profetas e a interação com os dogmas da dominação ancestral, resta-nos a mercantilização da consciência coletiva como produto e as teorias de coué sobre ilusionismo e comunicação de massas...they all heave abandoned their hopes, granjeando houdim criando ilusões, veromissíveis como encontrar queijo mussarela fatiado ou em pedaços no seu setor e na sua baia!

não, concerne!...
sei que é ilusionismo,
ninguém atravessa paredes!

Pelo corredor de conservas procurando por caldo de legumes olho e me lembro que não tenho molho inglês, shoyu e alcaparras.....procuro os de vidro, afinal vidro é melhor que os "pet"....são facilmente mais aproveitáveis do que os de plástico.....essa coisa ecológica deve estar na ordem do dia afinal temos que conquistar a autonomia da auto sustentabilidade e acabar de vez com este papo politicamente correto do que tem que ser feito para salvar-nos do mundo; suposições só secam o processo revolucionário, retardam opções urgentes e favorecem a corrupção reacionária.

circunlóquio! ninguém, reconstrói atmosferas!

De vez em quando, um acidente de trânsito entre os corredores deste labirinto consumista, nos olhamos culpando um ao outro por nosso fracasso direcional, ai eu fico pensando; se déssemos...cérebro a um macaco ele irá localizar seu umbigo no centro do universo e queimar os que desafiarem esta inquisição, espraguejando planfetarismos zelosos sobre lei e ordem, o direito de ir e vir e outras baboseiras que nos são inerentemente herdadas por direito e pela genética que evolui fazendo gerações melhores que a nossa, agora, segundo darwin e os que professam suas idéias evolutivas e as naturais possibilidades de crescimento..... saber que olha para luz e não vê só deus, disfarçado num corante que fornece o falso brilho ao molho ou as centenas de produtos que as vezes não há dinheiro para comprar e outras a de ter grana e não se decidir o que comprar, ter ou não ter, ser ou não ser, crer e não crer; rimam tanto que podem se afirmarem e se contradizerem, até ai não disse nada, aliás nunca quis dizer nada definitivo, nada que afirmasse o que diante dos meus olhos se contradizem como ofertas que vendem o preço real dos produtos sem a ganância de quem as oferece e a prestação da tv de plasma vencida a três meses....inadimplente!

Passando numa seção de utilidades domésticas me encanto com um espremedor de alho e um ralador de cebolas no qual feriria a ponta dos dedos desarvoradamente, ralando tudo que pudesse ser ralado ou, ao verbete espremer a iníqua promessa de vexar para salvar. sendo que ai seriam bolhas e certamente depois, calos!....trágica mágica da fatalidade, mas nada do que não me recupere ou faça com que durante alguns dias, desfile curativos incorporados aos modelitos moderninhos e básicos.....será? Que existe alguma outra coisa deste lado com tanto apelo para a mesma coisa....será que nas saídas nos esperarão caixas? temos que embalar tudo isso para carregar rua à fora, presas aos ganchos de nossas mãos.

o pão que se esfumaça na cesta tão quentinho que todos o querem ao mesmo tempo, feito famintos que nunca comeram do pão fascinados pelo aroma do trigo sovado e assado, se lançam numa batalha edaz, quem vence se serve da melhor nacada, aos maiores supõem-se melhor qualidade ou um quantum menor de energia?.... expectativas são tão miseráveis como qualquer outras que circulam por estes entrepostos de ilusões e guloseimas, esperanças em vão: quinze minutos para decidir se leva ou não! fora as compras de impulso que não demandam escolhas....hoje a noite tem decisão and i’m here, yet...procurando por uma promoção relâmpago para poupar alguns trocados no filezinho de frango, já que a economia é instável favorecendo só os especuladores atrás de ganhos do capital predatório...vou navegando por esse piso de granito, impecável como um novo escândalo estampado nas capas dos jornais expostos como iscas para venderem revistas de moda, culinária e auto ajuda...macroestesia justificam os crendeiros.

Continuo a achar graça de tudo isso, vou rindo do que não creio fazendo metateses dizendo qualquer coisa que a boca inventa...ou que o hálito volateia no meio de um arroto...no meio da falácia critico etmológica percebo que o mundo entorno não é tão ruim como imagino, mas sei que é necessário perceber suas contradições para melhorar nossas condições existenciais, afinal tantos passam fome, não tem educação e nem direito a saúde, tantos vivem neste mundo maravilhoso, abandonados pelas esquinas dormindo em papelões esticados ao relento, cobertos por mantas de plástico negro que embalam as mercadorias que chegam das mais diversas regiões deste mundo globalizado, neo liberal de milionários especuladores e miseráveis catadores do lixo produzido por estes que desfilam suas vaidades nos chás de caridade que oferecem paliativos as soluções que se fazem necessárias pára que o mundo se torne algo distante desta critica incessante a interpretá-lo.....repentinamente me espanto com o preço dos laticínios, tornaram-se proibitivos para muitos e pouco importa ninguém boicotará e o quartel os manterá em alta até o final da entre safra quando os tonelames estiverem transbordando de etanol, daí quase todos poderão voltar a comer romeos e julietas....a seção de vinhos é do outro lado não vejo nenhum hidropônico por aqui.

- afinal! quem carrega ovos tem que ter cuidado para não quebrá-los.


4 comentários:

Senhora Loirinha Má disse...

Ah muito não lia um texto seu tão contundente & divertido. Palavra que estou felicíssima. Eu amo fazer supermercado!

Nina Blue disse...

Ai, ai, eu fui ao mercado hoje duas vezes... E não rolou nada tão interessante como no seu texto.
Beijos

Keila Costa disse...

Esse passeio pelo supermercado foi mesmo divino e inquietante...um dos templos do consumismo, desse bárbara forma de viver que vimos forjando, e que descontroladamente se perpetua...e esses pães quentinhos são mesmo um manjar, uma lembrança daquilo que quase não existe mais...Beijos

Sara_Evil disse...

Grato!

:)!