Radio A Toa

segunda-feira, novembro 15, 2010

Carolinas



Vou pela Praia de Botafogo e observo minha cidade. Penso em atravessar pela passagem subterrânea e caminhar ao longo da praia, direção ao monumento dos pracinhas, no caminho do aterro. Uns pivetes se aproximam, ligada, desvio meu destino e continuo até a próxima passagem, na altura do Edifício Argentina. Mesmo com o dia nublado, quero aproveitar o resto do meu fim de semana. Lá em casa, teve muita "função" como falava minha vó Cecília. Recebemos amigos, os amigos dos amigos, nossos pais e as crianças brincaram bastante. Continuando pela praia, vejo o Rio de Janeiro, tão lindo e tão pobre! Um paradoxo!
Pessoas alheias, desatentas, cansadas, mendigos dementes se banhando na Baía de Guanabara e algumas turistas... Hoje não consegui ver o charme, o encanto e a energia da minha cidade. Talvez seja o meu olhar, triste e desacreditado com o descaso habitual... Para afastar a tristeza, cantarolei uma canção do Chico Buarque, bem antiga...

Carolina, nos seus olhos fundos guarda tanta dor, a dor de todo esse mundo.
Eu já lhe expliquei, que não vai dar, seu pranto não vai nada ajudar.
Eu já convidei para dançar, é hora, já sei, de aproveitar.
Lá fora, amor, uma rosa nasceu, todo mundo sambou, uma estrela caiu.
Eu bem que mostrei sorrindo, pela janela, ah que lindo.
Mas Carolina não viu...
Carolina, nos seus olhos tristes, guarda tanto amor, o amor que já não existe,
Eu bem que avisei, vai acabar, de tudo lhe dei para aceitar.
Mil versos cantei pra lhe agradar, agora não sei como explicar.
Lá fora, amor, uma rosa morreu, uma festa acabou, nosso barco partiu.
Eu bem que mostrei a ela, o tempo passou na janela e só Carolina não viu.

Um comentário:

Senhora Loirinha Má disse...

Ver o tempo na janela eu vejo. Eu não consigo faze-lo ficar na janela.